A obra Ateísmo & Liberdade foi concebida com o objetivo de lançar alguma luz sobre questões fundamentais da existência humana – num tom sempre honesto, sóbrio e crítico.
Primeiramente põe em evidência que a meta da obra não é, de modo algum, estabelecer verdades absolutas ou convencer todos a um ponto de vista específico, mas, pelo contrário, mostrar que, por detrás da aparente solidez de nosso conhecimento da realidade, há sempre margem para erros – do mesmo modo que a solidez de uma placa tectônica esconde a fluidez do magma sobre o qual está, algo do qual dificilmente desconfiaríamos pela intuição. Portanto, em nosso conhecimento, há – e deve haver – lugar para a dúvida, para a incerteza, pois deste modo nosso conhecimento não ficará cristalizado na forma de crenças impermeáveis às novas evidências que vierem a ser descobertas e às novas teorias que vierem a ser formuladas.
Portanto, esta é, antes de tudo, a principal proposta da obra: introduzir o leitor no mundo do livre-pensamento, da criticidade – do duvidar, pensar e, por fim, concluir racionalmente –, abandonando o hábito comum de aceitar e incorporar informações passivamente, sem antes pensar sobre elas de modo crítico, sem antes procurar descobrir se estas possuem alguma correspondência na realidade.
Sobre essas bases introdutórias, segue-se uma análise crítica sobre a possibilidade da existência de algum tipo de divindade – não para, intencionalmente, provar ou refutar sua existência, mas sim para concluir, a partir do que sabemos sobre o mundo, isto: quão provável ou improvável é a existência dessa entidade? Assim, é sempre bom ter em mente a passagem do livro que afirma: se a hipótese de um Deus criador vier a tornar-se a explicação mais plausível e mais condizente com os fatos e com o conhecimento, então deveremos forçosamente rejeitar o ateísmo, pois, se não o fizermos, certamente estaremos abdicando de nossa própria racionalidade. A Parte I da obra versa principalmente sobre tal tema, incluindo também um esboço sobre a psicologia da crença.
A Parte II da obra abre-se com um capítulo dedicado à Teoria da Evolução, que servirá como referencial para analisar vários fatores e questões da natureza humana numa ótica naturalista. Tendo isso como base, a Parte II tenta apresentar uma visão natural do mundo e do homem, usando para isso uma perspectiva nos moldes da ciência: racional, objetiva e aberta.
Primeiramente, as questões levantadas envolvem temas como o antropocentrismo, seu efeito na cosmovisão humana e a relevância de levar tais fatores em consideração no que concerne a aquisição de conhecimento. Entender o modo como nosso cérebro processa e interpreta os dados captados pelos sentidos é uma das preocupações principais nesta etapa do livro.
Feita a distinção teórica entre o objetivo e o subjetivo, está pronto o terreno para analisar outra questão: o que é a moral? O que é um valor moral? A perspectiva até então apresentada torna mais fácil a compreensão da origem e função de conceitos como bem e mal ou certo e errado.
Chega-se, posteriormente, à questão do sentido da vida. Trazendo as conclusões dos três capítulos anteriores, faz-se a fusão da Teoria da Evolução com a faceta subjetiva da psicologia humana, tão adaptativa, enfocando aquilo que concerne a valoração e a motivação, e assim vemos que existe um dualismo na questão do sentido da vida.
Adentrando nesta análise da psicologia humana, o próximo capítulo procura delinear algumas correspondências entre nosso comportamento, nossas emoções e sentimentos, e nossas necessidades biológicas esculpidas pela evolução ao longo de milhões e milhões de anos – levantando, juntamente, a questão da descontextualização da espécie Homo sapiens à vida na civilização moderna.
Por fim, é apresentado aquilo que se pode denominar um esboço provisório do lugar do homem no mundo. Em sua humilde posição, o homem se sente extremamente importante, e isso soa contraditório; mas, aos que chegarem a este ponto da leitura, o porquê provavelmente já terá se tornado óbvio.
A Parte III contém um ensaio intitulado Sobre a Liberdade e o Livre-Arbítrio, que consiste de uma investigação acerca do significado de tais conceitos e de sua compatibilidade com o homem, tendo como foco central a questão de termos ou não uma vontade livre. Ademais, a Parte III contém o poema Ateísmo & Liberdade, inspirado nas idéias que a obra apresenta e algumas palavras do autor, por si mesmo. |